A OpenAI começou a exibir anúncios aos usuários do ChatGPT no Brasil no mesmo mês em que formalizou sua operação no país. O Brasil se tornou o oitavo mercado a receber o ChatGPT Ads, atrás de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Coreia do Sul. Por enquanto, a publicidade aparece apenas para usuários dos planos gratuitos e GO, maiores de 18 anos.
A chegada dos anúncios marca uma nova fase da operação da OpenAI no país, que é o terceiro mercado com mais usuários ativos mensais do ChatGPT no mundo. Além de ampliar o produto por aqui, a empresa passa a explorar uma das principais formas de monetização da internet, replicando um modelo já testado em outros países.
Como funciona a separação entre resposta e publicidade
Os anúncios ficam separados da resposta do modelo. Depois que o ChatGPT responde normalmente a uma pergunta, pode surgir, abaixo de uma linha visual, um conteúdo identificado como patrocinado. A OpenAI chama esse critério de independência de resposta: a mensagem orgânica não muda em função da publicidade, e o usuário consegue diferenciar as duas partes.
Segundo Dave Dugan, chefe de soluções globais para anúncios da OpenAI, a empresa reserva publicidade para conversas com intenção comercial direta, o que ocorre em cerca de 20% das perguntas feitas à ferramenta. Perguntas pessoais ou pedidos de conselho não recebem anúncios. Cada usuário pode gerenciar ou apagar as sugestões personalizadas nos ajustes da conta, e a OpenAI afirma não compartilhar detalhes das conversas com anunciantes.
De perfil para intenção
A diferença em relação ao modelo de publicidade digital tradicional está na forma como a informação chega até a plataforma. Em vez de cruzar histórico de navegação e perfil de interesses, o ChatGPT recebe uma descrição direta do que a pessoa busca naquele momento. O VP regional de growth para a América Latina da Adlook, Bruno Belardo, resume essa mudança como uma passagem de perfil para intenção: uma pessoa pode se interessar por carros durante anos e, ainda assim, pesquisar financiamento, seguro ou revisão apenas em momentos pontuais. “Não basta saber quem é o usuário, e sim é preciso entender em que momento ele está ali na jornada”, diz Belardo.
Essa lógica também altera o valor de cada anúncio. Belardo avalia que anunciar em uma plataforma capaz de entregar publicidade para o público certo tende a custar mais caro que os formatos tradicionais, embora não substitua canais de massa usados para lançamentos e construção de marca.
O risco de parecer invasivo
Esse mesmo nível de contexto cria um risco: um anúncio de tênis de corrida logo após uma pergunta sobre o assunto pode soar útil para um usuário e invasivo para outro, que sente a conversa mais próxima de uma vitrine do que de uma interação de confiança. Belardo reconhece essa tensão. Segundo ele, anúncios muito contextualizados tendem a ser mais relevantes, mas correm o risco de parecer roteirizados para empurrar uma venda, o que pode incomodar parte dos usuários.
A percepção sobre por que um produto apareceu na tela é o ponto central da discussão. Quando alguém pergunta qual celular comprar e recebe uma resposta seguida de um anúncio, a dúvida sobre a origem da recomendação surge de forma natural. “A confiança vai ser o principal ativo dessa plataforma”, avalia Belardo, lembrando que o Google não perdeu credibilidade ao inserir anúncios nos resultados de busca, e sim quando parte dessa publicidade passou a ocupar posições melhores que o conteúdo orgânico. A OpenAI sustenta que os anúncios não influenciam o conteúdo produzido pelo modelo e mantém a separação visual entre resposta e publicidade como principal garantia dessa distinção.
A publicidade tradicional costuma interromper uma atividade em andamento, como um vídeo, uma matéria ou a navegação em uma rede social. No ChatGPT, a lógica se inverte: o usuário expressa uma intenção de compra e a publicidade aparece dentro desse contexto específico. Para Belardo, essa mudança exige que as campanhas deixem de interromper a experiência e passem a complementá-la, funcionando ao lado de outros canais de mídia, sem substituir buscadores, redes sociais ou publicidade tradicional.
Com informações de Canaltech. Fonte original.