A partir desta segunda-feira (20), Santa Catarina entra no período mais decisivo do calendário eleitoral: as convenções partidárias. Até 5 de agosto, os partidos estarão reunidos, em encontros presenciais ou virtuais, para oficializar seus candidatos a presidente, governador, senador, deputado federal, estadual e distrital. É nesse momento que as pré-campanhas, até então movidas por especulações, se transformam em chapas oficiais, prontas para serem registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
Mais do que um rito burocrático, as convenções desenham o tabuleiro político para a disputa de outubro. Em Santa Catarina, estado conhecido como um dos mais conservadores do país, a corrida ao governo já tem contornos definidos, com ao menos oito partidos lançando pré-candidatos. A disputa, porém, não se resume a uma simples escolha entre nomes; ela reflete uma batalha de projetos e alianças que atravessa o espectro político, da extrema direita à esquerda revolucionária.
🌐 O Campo da Direita e da Centro-Direita
Este grupo reúne os candidatos que, em maior ou menor grau, se alinham ao legado do bolsonarismo ou a uma pauta liberal-conservadora. É o campo que parte como favorito, mas que já apresenta fissuras.
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Jorginho Mello (PL): Atual governador e principal nome da direita, Jorginho Mello lidera as pesquisas com intenções de voto que oscilam entre 41,3% e 44,7%. Sua pré-candidatura à reeleição foi formalizada em um evento que contou com a presença de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. Em seu discurso, Mello foi enfático ao se colocar como continuador do “legado” de Jair Bolsonaro, prometendo endurecer ainda mais a política de segurança pública: “aqui bandido não tem vez”. Sua chapa ao Senado é um símbolo do poder da família Bolsonaro em Santa Catarina, com os nomes de Carlos Bolsonaro e Carol de Toni.
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João Rodrigues (PSD): Ex-prefeito de Chapecó por quatro mandatos, João Rodrigues é a principal alternativa da centro-direita para desafiar Jorginho Mello. Sua pré-candidatura é robusta e conta com o apoio de partidos como o PP (do ex-governador Esperidião Amin, que será seu candidato ao Senado) e o União Brasil. Rodrigues promete um governo focado em infraestrutura, com a meta de construir 60 mil moradias. A disputa entre ele e Mello já provocou rachas, como a saída do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, do PSD por apoiar a reeleição de Mello.
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Ralf Zimmer (PRD/Solidariedade): O nome de Ralf Zimmer surge como uma das incógnitas do pleito. Sua pré-candidatura não foi amplamente divulgada e carece de informações detalhadas sobre suas propostas e apoios.
✊ O Campo da Esquerda
Unificada em torno de uma grande frente, a esquerda catarinense busca uma estratégia para superar a rejeição histórica no estado e capitalizar a força nacional do presidente Lula.
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Gelson Merísio (PSB): A aposta da esquerda para o governo é um nome com trânsito na centro-direita. Empresário e ex-presidente da Assembleia Legislativa por duas vezes, Merísio já foi eleito pelo PSD e, em 2018, apoiou Jair Bolsonaro. Sua migração para o PSB, onde lidera a frente “Campo Democrático” que reúne PT, PDT e PSOL,é justificada por ele como uma “decepção” com a gestão Bolsonaro. A chapa tem como vice a ex-deputada Ângela Albino (PDT) e, para o Senado, nomes de peso como Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL). Merísio tenta construir uma imagem de moderado, capaz de dialogar com diferentes setores, e critica a associação de Santa Catarina à “intolerância e radicalização”.
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Laís Chaud (UP): A Unidade Popular (UP) aposta em uma candidatura mais à esquerda, com Laís Chaud, psicóloga e dirigente do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Sua campanha é a primeira da legenda ao governo estadual e defende pautas ligadas aos movimentos populares e trabalhistas. Entre suas propostas mais ousadas está a substituição da escala de trabalho 6×1 por uma jornada de quatro dias. Chaud critica duramente a política de segurança de Jorginho Mello, apontando que o aumento de investimento em armas não reduziu a violência nas periferias.
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Marcus Sodré (PSTU): O PSTU realizará sua convenção de forma online e lança Marcus Sodré, professor e ativista político, como pré-candidato. Representa a ala mais radical da esquerda, com um discurso crítico ao sistema e defesa de pautas históricas do movimento operário.
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Brunno Dias (PCO): O Partido da Causa Operária (PCO) confirmou a pré-candidatura de Brunno Andrade Dias. Sua campanha, que segue a linha do partido, promete se opor às privatizações e defender os serviços públicos, sendo mais uma opção para o eleitorado de esquerda.
⚖️ Outros Projetos e Movimentações
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Marcelo Brigadeiro (Missão): A pré-candidatura de Marcelo Brigadeiro, ex-lutador de MMA e filantropo, foi marcada por idas e vindas. Ele chegou a anunciar a desistência em junho, mas voltou atrás e confirmou que seguirá na disputa. Sua campanha, ainda pouco conhecida, tenta se firmar como uma opção fora do espectro tradicional.
🗓️ O Calendário e a Estratégia
As convenções partidárias são o palco onde todas essas articulações se tornam oficiais. A ata desses encontros é um documento obrigatório para o registro de cada candidatura na Justiça Eleitoral.
A estratégia da esquerda, ao lançar um nome como Gelson Merísio, é clara: tentar romper a polarização e atrair eleitores moderados e até mesmo descontentes com o bolsonarismo. Já Jorginho Mello aposta na força do nome Bolsonaro e em uma base conservadora sólida para vencer no primeiro turno. A centro-direita, representada por João Rodrigues, tenta se firmar como uma terceira via viável, capaz de unir forças anti-Mello sem se vincular ao PT.
Com o início das convenções, o jogo eleitoral em Santa Catarina sai do campo das especulações e entra na fase decisiva, onde alianças serão testadas e projetos serão colocados à prova diante do eleitor.
Com informações de G1 SC, CNN Brasil, Gazeta do Povo, Jota Info, Itatiaia, NSC Total e outros.