O senador Esperidião Amin expressou forte crítica ao modelo de concessão proposto para as rodovias federais em Santa Catarina, especificamente as BRs 282, 470 e 153. Em uma entrevista, Amin afirmou que as condições previstas não atendem às necessidades do Estado e podem comprometer os investimentos nas próximas três décadas.
Segundo o senador, o volume de obras previsto seria inferior ao que o próprio governo federal já considerava necessário para as rodovias catarinenses há mais de uma década. Além disso, a implantação de pedágios não estaria acompanhada de investimentos suficientes para resolver os principais gargalos da malha federal. Amin declarou que ‘este leilão, com estas cláusulas, nós não podemos aceitar. Seria uma traição ao Estado de Santa Catarina’.
Concessão e Investimentos
Amin afirmou ser favorável à participação da iniciativa privada na infraestrutura, mas não concorda com uma concessão que estabeleça poucas obrigações e dificulte futuras cobranças por novas obras. ‘Eu sou favorável à concessão. Mas este tipo de concessão, que vai nos amarrar por 30 anos, eu prefiro ficar com o DNIT’, destacou.
O senador também destacou que os projetos elaborados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes teriam maior consistência técnica, mas esbarrariam na falta de recursos para serem executados. Para Amin, o caminho deve ser a busca de uma solução financeira que permita realizar as obras consideradas prioritárias para Santa Catarina.
Alternativas para Destravar Obras
Entre as alternativas, o senador mencionou a possibilidade de o governo catarinense voltar a destinar recursos para rodovias federais, por meio de um empréstimo à União ou de investimentos que sejam posteriormente compensados na dívida do Estado. ‘Quem sabe se o Estado, que tem dinheiro, faz um empréstimo para o governo federal e depois abate da sua própria dívida? Vamos negociar. O que nós precisamos é de obras não de agora, mas de ontem’, propôs.
Amin lembrou que Santa Catarina já investiu recursos próprios em rodovias federais em outros períodos, citando trechos das BRs 282, 163 e 280 como exemplos de obras que receberam participação financeira do governo estadual.
Criticas Adicionais
O senador também criticou a demora na definição das obras do Morro dos Cavalos, na BR-101, e afirmou que a falta de formalização impede uma fiscalização mais efetiva sobre prazos e obrigações. Além disso, Amin reclamou da indefinição sobre a revisão do contrato de concessão da BR-101 entre o Morro dos Cavalos e a divisa de Santa Catarina com o Paraná.
Para o senador, a situação das rodovias federais representa uma das principais dívidas da União com Santa Catarina. Amin estima que o Estado tenha uma defasagem de aproximadamente 2 mil a 2,5 mil quilômetros de rodovias pavimentadas e estruturadas. ‘O nosso sistema circulatório está congestionado. É por isso que está travado’, concluiu.
Com informações de ND Mais. Fonte original.