Prazo terminou às 19h de sábado (15/8); campanha começa oficialmente neste domingo, com primeiro turno marcado para 4 de outubro
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu 13 pedidos de registro de candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026. O prazo para que partidos, federações e coligações apresentassem os nomes de seus candidatos terminou às 19h do último sábado (15/8), fechando oficialmente o quadro que os eleitores vão encontrar nas urnas em outubro.
O protocolo do pedido, no entanto, não significa que a candidatura esteja automaticamente autorizada a disputar o pleito. Todos os registros ainda precisarão passar pela análise da Justiça Eleitoral, sob a presidência do ministro Kassio Nunes Marques no TSE, que verificará o cumprimento dos requisitos legais para cada nome apresentado — entre eles filiação partidária em dia, quitação eleitoral e ausência de causas de inelegibilidade.
Quem são os 13 candidatos
A lista reúne nomes de norte a sul do espectro político, com concentração maior nas legendas de esquerda e de nanicos ideológicos:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vice Geraldo Alckmin — tenta o quarto mandato à frente do país;
- Flávio Bolsonaro (PL), vice Alfredo Gaspar — carrega a bandeira da família Bolsonaro após o pai, Jair Bolsonaro, seguir inelegível;
- Ronaldo Caiado (PSD), vice Gilberto Kassab — governador de Goiás licenciado;
- Romeu Zema (Novo), vice Eduardo Girão — governador de Minas Gerais licenciado;
- Renan Santos (Missão), vice Aroldo Medina;
- Augusto Cury (Avante), vice Júlio Delgado;
- Samara Martins (UP), vice Raquel Bricio;
- Hertz Dias (PSTU), vice Vanessa Portugal;
- Edmilson Costa (PCB), vice Cleusa Santos;
- Rui Costa Pimenta (PCO), vice Antônio Carlos Silva;
- Clariana Barão (DC), vice Fabiana Torquato;
- Wilson Grassi Júnior (Democrata), vice Suêd Haidar;
- Pablo Marçal (PRTB), vice Leonardo Avalanche — registrado de última hora, apesar de inelegível.
Lula tenta ampliar a base de apoio à candidatura de reeleição e mantém alianças distintas em diferentes estados do país. Já a corrida à direita segue fragmentada entre Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema, sem um nome consensual que unifique o campo — o que analistas apontam como um dos fatores que mantém o presidente na dianteira das pesquisas.
Caso Pablo Marçal
O último a oficializar o registro foi Pablo Marçal, do PRTB, que, apesar de inelegível, foi incluído na disputa na reta final do prazo, protocolando o pedido por volta das 18h51 de sábado. Horas antes da formalização, a Executiva Nacional do partido aprovou a saída de Leonardo Avalanche, até então candidato da legenda ao Palácio do Planalto, para abrir espaço à candidatura do empresário. Em troca, Avalanche — presidente nacional do PRTB — assumiu a vaga de vice na chapa encabeçada por Marçal, dizendo, segundo o partido, que “recuperamos a legenda de quem tentou tomá-la de nós”.
Marçal conseguiu, neste sábado, uma liminar da Justiça Eleitoral que reconheceu provisoriamente sua filiação ao PRTB com efeitos retroativos a 4 de abril, data-limite estabelecida para que candidatos estivessem filiados ao partido pelo qual pretendiam concorrer. Foi essa decisão que permitiu à legenda apresentar o pedido de registro de candidatura do empresário.
A medida judicial, contudo, não suspendeu a inelegibilidade de Marçal. O empresário acumula condenações no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por abuso de poder político e econômico, relacionadas à sua campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024, e está impedido de concorrer a cargos eletivos até 2032. No sistema do TSE, sua candidatura aparece como “aguardando julgamento”, e o caso deve seguir para análise de mérito nas próximas semanas, sem garantia de que o nome chegue à urna eletrônica em outubro.
O registro também chamou atenção pela declaração de bens: Marçal informou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 7,4 bilhões, salto de cerca de 4.276% em relação aos R$ 169,5 milhões declarados em 2024. Segundo o documento entregue ao TSE, a maior parte dos ativos — cerca de R$ 6,79 bilhões — está concentrada em uma aplicação de renda fixa no banco Itaú; o restante inclui um terreno urbano em Santana de Parnaíba avaliado em R$ 490 milhões e participação de 80% na Aviation Participações, avaliada em R$ 80 milhões. Nem o candidato nem sua assessoria comentaram publicamente a origem do salto patrimonial.
Início oficial da campanha
A campanha eleitoral começa oficialmente neste domingo (16/8), data a partir da qual os candidatos já podem pedir votos e realizar atos de campanha. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato alcance a maioria dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.
Estão aptos a votar 158,7 milhões de eleitores em todo o país, segundo o TSE — um aumento de 2,2 milhões de eleitores (1,46%) em relação a 2022. As mulheres são maioria do eleitorado, com 52,8% (83,8 milhões), ante 47,7% de homens (74,8 milhões). O voto dos brasileiros no exterior cresceu 31,82%, chegando a 918.876 eleitores registrados fora do país.
O que dizem as pesquisas
Levantamento do PoderData/Aya divulgado em 13 de agosto mostra Lula em empate técnico em todos os cenários testados de segundo turno: 46% a 45% contra Flávio Bolsonaro, 45% a 44% contra Caiado e 45% a 43% contra Zema — margens dentro do intervalo de erro de dois pontos percentuais. A única vantagem mais folgada do presidente aparece contra Renan Santos, com 46% a 37%. A pesquisa ouviu 2.400 pessoas em 658 municípios dos 27 estados entre 9 e 12 de agosto.
Levantamentos anteriores, como o da Genial/Quaest no início do ano, já indicavam Lula na liderança isolada no primeiro turno, com Flávio Bolsonaro em ascensão e consolidado como principal adversário à direita — cenário que parece ter se mantido, ainda que com a corrida mais acirrada no segundo turno conforme a campanha avança.
Com informações de Metrópoles, Poder360, CNN Brasil, Correio Braziliense, Gazeta do Povo, Metrópoles (Grande Angular), Terra e Sampi.