O governo russo, liderado por Vladimir Putin, impôs um veto à exportação de óleo diesel até o fim do mês. Essa medida pode ter um impacto significativo no mercado brasileiro, que é o segundo maior importador do derivado do petróleo russo. A decisão foi anunciada durante uma reunião com o gabinete para discutir o impacto dos ataques com drones e mísseis de cruzeiro da Ucrânia contra o sistema energético russo.

Contexto da decisão

A campanha de ataques da Ucrânia contra a Rússia começou há algumas semanas e atingiu duramente a produção de petróleo do país, que é o segundo maior fornecedor global da commodity, empatado com a Arábia Saudita. Nesta quarta-feira, três refinarias foram bombardeadas, e na terça-feira, a maior unidade de refino da Rússia teve de parar sua produção, localizada em Omsk, a 3.000 km das fronteiras ucranianas.

Apesar de admitir a escassez de combustível e as longas filas em postos de toda a Rússia, além do racionamento em algumas regiões, Putin afirmou que o sistema é sólido. No entanto, em junho, houve uma queda de produção de derivados de 25% e 15% nas exportações do petróleo cru, segundo consultorias russas que utilizam dados oficiais.

Impacto no mercado brasileiro

O veto à exportação de diesel pode aumentar o suprimento ao mercado doméstico russo, segundo o czar energético russo, Alexander Novak. Além disso, o país também irá comprar derivados enquanto a crise durar, o que é uma medida rara para a Rússia. Os envios da aliada Belarus já aumentaram exponencialmente desde o fim de junho.

O Brasil se beneficiou da política de altos descontos do Kremlin, assim como outras nações não alinhadas ao Ocidente e suas sanções. Em maio, o produto russo respondeu por 75% das importações do diesel pelo Brasil, que atendem cerca de 30% da demanda doméstica. Hoje, os brasileiros são o terceiro maior comprador do derivado russo, atrás de China e Turquia.

Consequências e perspectivas

Embora o veto até o próximo dia 31 não afete preços no Brasil devido aos contratos de mais longo prazo, a situação pode mudar se o banimento for estendido e se outros fatores entrarem em campo, como a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã, o que dificultaria ainda mais a normalização do fornecimento via Oriente Médio.

Com informações de ICL Notícias. Fonte original.