Conhecido no submundo das academias como “Jiraiya”, Roberto Carlos Pereira de Carvalho é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como um dos maiores traficantes de anabolizantes e medicamentos proibidos do país. Chamado pelos investigadores de “mafioso das bombas”, ele foi preso na última quarta-feira (12/8), no âmbito da Operação Narciso, deflagrada pela PCDF por meio da Corf para desarticular o esquema criminoso.

Segundo as investigações, Jiraiya comandava uma estrutura milionária de produção e distribuição clandestina sem colocar a mão na massa diretamente. O esquema movimentava cerca de R$ 500 mil líquidos por mês e mantinha laboratórios espalhados por São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Foz do Iguaçu (PR) e também no Paraguai.

Estrutura terceirizada e vida de luxo

Para dificultar o trabalho da polícia, o investigado evitava permanecer por muito tempo no mesmo endereço. Ele alugava mansões de alto padrão em diferentes estados, que eram usadas para instalar laboratórios clandestinos. A fabricação dos produtos ficava a cargo de funcionários contratados por ele, enquanto a logística de distribuição era terceirizada, com entregas feitas por motoboys e serviços de delivery — o que mantinha Jiraiya afastado tanto da produção quanto da entrega dos anabolizantes.

A ostentação também fazia parte da rotina do investigado. De acordo com a PCDF, ele frequentava hotéis de luxo no Chile e mantinha um bunker em Ciudad del Este, no Paraguai, utilizado como parte da estrutura do esquema. As investigações apontam ainda que Jiraiya se valia do laboratório New Science para patrocinar nutricionistas e atletas, que prescreviam e divulgavam os produtos comercializados pelo grupo.

Operação Narciso e bloqueio milionário

A engrenagem do esquema ruiu nas primeiras horas da quarta-feira (12/8), com a deflagração da Operação Narciso. A ação desarticulou uma teia complexa que ligava insumos asiáticos a ampolas letais vendidas no mercado nacional. Ao todo, a Justiça expediu 43 mandados de prisão — entre preventivas e temporárias — e 64 mandados de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio e sequestro de R$ 32 milhões em ativos financeiros e a quebra de sigilo bancário de 58 alvos. Especificamente em relação a Jiraiya, a Justiça havia determinado o bloqueio de até R$ 5 milhões ligados ao investigado.

O esquema contava com conexões em oito estados além do Distrito Federal, com uma ponte direta para a fabricação clandestina no Paraguai. As ações da operação ocorreram em Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba, Paraná e Minas Gerais. A investigação revelou uma engrenagem criminosa voltada à fabricação caseira, ao fornecimento de insumos, à rotulagem, à divulgação e à comercialização de anabolizantes, medicamentos controlados, produtos veterinários e suplementos com substâncias ocultas.

Como resultado da operação, mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados, 10 veículos de luxo foram apreendidos e mais de 30 sites de venda ilegal saíram do ar. Segundo a PCDF, a organização criminosa contava com a participação de nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais, que davam sustentação e alcance ao esquema de venda ilegal de anabolizantes em diversas regiões do país.

Com informações de Metrópoles. Fonte original.