Todo pescador experiente já viveu momentos de perigo em alto-mar: uma tempestade repentina, uma avaria no barco, um acidente no convés. Adailton Pontes, conhecido como “Ito”, já passou por situações assim. Mas o episódio mais marcante de sua trajetória envolveu uma abordagem de fiscais do Ibama que terminou em tiros e prisão. “Foi uma situação complicada na minha vida”, relembra o pescador de 52 anos, natural de Santa Luzia.

Adailton foi um dos indicados a Pescador Portobelense 2026, honraria concedida pela Câmara Municipal de Porto Belo e entregue em sessão solene no dia 16 de julho. Em entrevista gravada para a equipe de Comunicação do Legislativo, ele revisitou sua trajetória na pesca e detalhou o dramático incidente vivido em alto-mar.

Uma vida dedicada à pesca

Adailton tirou seus documentos de pescador aos dezesseis anos de idade, em uma decisão pragmática: o jovem queria conquistar coisas que a família tinha dificuldade de bancar. Seguiu assim os passos do pai, seu José Antônio, e, como ele, percorreu léguas de mar atrás do camarão e de outros pescados. “O litoral brasileiro eu conheço praticamente tudo”, afirma.

Ao longo de 36 anos de pesca, uma rotina se consolidou nas últimas três décadas: viajar ao litoral paulista a tempo de participar da abertura da temporada do camarão. Neste ano, porém, algo fugiu ao roteiro habitual. Seu barco, batizado Salmo 23, foi abordado por fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enquanto navegava ao largo de Cananéia, no litoral de São Paulo.

Abordagem terminou em tiros e prisão

Segundo o relato do pescador, o contato inicial com os fiscais foi amistoso, e a documentação apresentada estava em dia. A situação, no entanto, se tornou dramática quando Adailton solicitou se aproximar de um colega de pesca. Nesse momento, a voadeira dos agentes se interpôs inesperadamente em seu trajeto, provocando uma colisão entre as embarcações.

Diante do episódio, os fiscais reagiram com tiros e detiveram o pescador, que foi conduzido algemado até Cananéia. Uma mobilização de outros pescadores garantiu o pagamento da fiança para a soltura de Adailton, mas o episódio deixou marcas. “Foi uma covardia”, resume ele, ao relembrar o ocorrido.

Apesar do transtorno, o portobelense seguiu trabalhando normalmente após o episódio e obteve uma das melhores safras de que tem lembrança. “Me dei bem pra caramba”, contou, em tom de superação, ao encerrar o relato sobre um dos capítulos mais tensos de sua longa carreira como pescador.

Com informações de Câmara Porto Belo. Fonte original.