O professor Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior toma posse como reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no próximo dia 6 de julho, às 17h. Eleito com 55% dos votos totais — contando com o apoio de mais de 71% dos docentes e 65% dos estudantes —, sua chegada à reitoria representa um momento de transição e renovação para uma das principais instituições de ensino superior do país.
Quem é o novo reitor?
Catarinense de Florianópolis, 58 anos, casado e pai de três filhos, Amir Oliveira Júnior construiu uma carreira sólida na universidade. Engenheiro mecânico formado pelo Centro Tecnológico da UFSC em 1988, possui doutorado e pós-doutorado pela Universidade de Michigan (EUA), onde participou de projetos com cooperação da NASA.
Professor titular do Departamento de Engenharia Mecânica e vice-diretor do Centro Tecnológico, sua trajetória inclui a presidência do Conselho de Curadores da Fundação Certi, a direção acadêmica do campus de Araranguá e atuação como conselheiro da Celesc.
Ao seu lado, assume como vice-reitora a professora Felipa Rafaela Amadigi, do Departamento de Enfermagem. Paranaense de 46 anos, doutora em Enfermagem pela UFSC, ela coordenou a campanha de imunização contra a Covid-19 em Florianópolis e tem experiência em gestão em saúde e saúde digital. A chapa “Mudar para Transformar” venceu a consulta informal em dois turnos nos campi de Araranguá, Blumenau, Curitibanos, Florianópolis e Joinville.
O contexto: uma universidade em busca de novos rumos
A UFSC chega a este momento com desafios evidentes. O campus da Trindade, coração da instituição, apresenta sinais de abandono: instalações pichadas, prédios descuidados e uma infraestrutura que se deteriora. A escassez de recursos, embora real, não é apontada como a única causa — fragilidades estruturais e administrativas também pesam.
O novo reitor tem se comprometido com uma gestão participativa. Em suas primeiras declarações, afirmou: “Nosso primeiro passo é ouvir nossa comunidade de forma sistemática e organizada. Através de vários encontros com pessoas que fazem a UFSC, nós vamos entender melhor as necessidades que se colocam à nossa frente” .
Entre suas bandeiras de campanha estão a união, as convergências e uma maior conexão com a sociedade catarinense. A proposta é restabelecer pontes com estudantes, professores, servidores e instituições nos três níveis de governo.
A educação pública como ferramenta de transformação
A posse de uma nova gestão na UFSC não é um evento institucional qualquer. Ela carrega um significado mais profundo: a educação pública de qualidade é o principal motor para a construção de um futuro menos desigual.
No Brasil, o acesso ao ensino superior ainda é profundamente marcado por desigualdades sociais e econômicas. As universidades públicas, apesar de seus desafios, continuam sendo o principal canal de mobilidade social para estudantes de baixa renda. São elas que formam a maioria dos pesquisadores do país, que geram ciência e tecnologia e que impactam diretamente as realidades sociais onde estão inseridas.
Em Santa Catarina, a UFSC atua em 12 regiões com baixos índices de desenvolvimento, levando educação, extensão e pesquisa a municípios que, de outra forma, teriam acesso limitado ao conhecimento produzido na academia.
A universidade pública não é um gasto — é investimento. Cada real aplicado na formação de um jovem, na pesquisa que gera inovação ou na extensão que leva conhecimento às comunidades mais carentes retorna multiplicado em desenvolvimento econômico, redução da pobreza e fortalecimento da cidadania.
Desafios e oportunidades
A nova gestão assume com promessas de mudança e eficiência administrativa, mas os desafios são enormes:
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Reconstrução da infraestrutura física dos campi, degradada ao longo dos anos.
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Recomposição orçamentária diante da escassez de recursos federais.
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Fortalecimento da extensão para ampliar o impacto social da universidade.
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Diálogo com a sociedade para que a UFSC seja reconhecida não como uma ilha isolada, mas como parte ativa do desenvolvimento catarinense.
O reitor eleito reconhece esses desafios, mas afirma ter “rotas bem traçadas que criam esperanças de novos dias”.
Conclusão
A posse de Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior e Felipa Rafaela Amadigi na UFSC é mais do que uma cerimônia protocolar. É a oportunidade de recolocar a universidade no centro do desenvolvimento de Santa Catarina e do Brasil.
Neste momento em que o país debate o papel do Estado, o financiamento da educação e as políticas de inclusão, a trajetória da UFSC nos próximos quatro anos servirá como um termômetro do compromisso com a educação pública, gratuita e de qualidade.
Porque, no fim das contas, educação não é despesa — é o único caminho sustentável para um futuro menos desigual. E cada passo dado nessa direção, por mais desafiador que seja, é um passo em direção a uma sociedade mais justa.