A Inglaterra estava tranquila, na frente do placar e sonhando com o MetLife Stadium. Aí lembrou que é a Inglaterra, e resolveu fazer o de sempre: sofrer nos minutos finais. Argentina vira o jogo em 6 minutos e vai enfrentar a Espanha na decisão de domingo (19).
Existe uma tradição inglesa mais antiga que o chá das cinco: chegar perto, ficar nervoso e entregar tudo de bandeja no fim. Nesta terça (15), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, a seleção da Inglaterra decidiu homenagear essa tradição com estilo, disciplina e pontualidade britânica — perdeu a vaga na final da Copa do Mundo justamente nos últimos seis minutos de jogo, depois de estar na frente havia mais de meia hora. Resultado: Argentina 2 x 1 Inglaterra, e os hermanos garantidos na decisão de domingo (19), contra a Espanha, no MetLife Stadium.
Durante boa parte do segundo tempo, tudo ia conforme o roteiro dos ingleses. Aos 9 minutos da etapa final, Anthony Gordon abriu o placar numa jogada bonita pela direita: Harry Kane lançou, Morgan Rogers cruzou, Gordon só teve o trabalho de empurrar para a rede e comemorar como quem já sente o gostinho do MetLife Stadium. A Inglaterra, então, fez a única coisa que sabe fazer tão bem quanto tomar virada: recuar, segurar o resultado e esperar o apito final. O problema é que, contra a Argentina de Messi, “segurar o resultado” é basicamente um convite pro desastre.
Porque aí entrou Lionel Messi em cena — e o roteiro mudou de gênero, de drama britânico pra comédia argentina. Aos 40 minutos do segundo tempo, Messi cobrou um escanteio curto, a bola sobrou nos pés de Enzo Fernández, que bateu de fora da área no ângulo, sem chances para o goleiro inglês. Empate, silêncio na torcida inglesa, e aquele frio na espinha de quem já viu esse filme antes. Seis minutos depois — seis! —, mais Messi: ele dominou pela direita, cruzou na medida, e Lautaro Martínez subiu sozinho, cabeceou e decretou a virada. A Inglaterra, que passou o jogo inteiro tentando não sofrer nos pênaltis, conseguiu a proeza de sofrer sem nem precisar chegar neles.
O time de Kane ainda teve o consolo de nenhum cartão vermelho — só amarelo para Elliot Anderson, e do lado argentino, para Lisandro Martínez —, mas isso não paga aluguel. Nas redes sociais, o apelido “Coração de Manteiga” voltou a circular entre os torcedores ingleses, ao lado da eterna pergunta que atravessa gerações: por que, exatamente, a Inglaterra insiste em jogar os últimos dez minutos como se estivesse pagando uma promessa?
Do lado albiceleste, a festa já começou. A Argentina chega à sua segunda final consecutiva de Copa do Mundo, agora contra a Espanha, no domingo (19), no MetLife Stadium, em Nova Jersey — o mesmo estádio, aliás, que vai decidir se os hermanos erguem o tricampeonato ou se ficam só na alegria de, mais uma vez, ter visto a Inglaterra tropear na própria sombra a um passo da decisão.
Com informações de GC Mais e FIFA.