Uma herdeira de um patrimônio milionário do Rio Grande do Sul perdeu R$ 37 milhões após cair em um golpe conhecido como “abate de porcos”. O esquema, que foi desmantelado pela Polícia Civil gaúcha, movimentou R$ 30 bilhões e vitimou mais de 140 pessoas em três estados: São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O Golpe
O golpe, conhecido internacionalmente como “pig butchering”, consiste em ganhar a confiança da vítima até o momento oportuno para o “abate”. A herdeira, que não teve seu nome divulgado, foi vítima do esquema após decidir reinvestir o dinheiro recebido de uma herança em uma plataforma financeira indicada pelos criminosos.
Os primeiros aportes, feitos em meados de 2024, foram de R$ 100 mil. Os valores aumentaram gradualmente para R$ 400 mil e R$ 500 mil, até chegarem a aportes milionários diários — em alguns casos, de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões em um único dia. As transferências continuaram até janeiro de 2025, quando a herdeira percebeu uma queda repentina no valor das operações e não conseguiu resgatar parte do dinheiro.
A Operação Criptoabate
A operação foi deflagrada pela Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos do Rio Grande do Sul em 13 de agosto. A Justiça decretou a prisão preventiva de oito pessoas e 10 ordens judiciais de busca e apreensão foram emitidas. Dois suspeitos foram presos e outros seis são considerados foragidos.
O delegado Eibert Moreira, diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, afirmou que o caso começou a ser apurado em 2025, após a herdeira procurar a polícia para denunciar o golpe. A denúncia acabou levando os investigadores à descoberta de centenas de outras vítimas em diferentes estados do país.
Consequências
O esquema criminoso internacional foi sustentado por uma intensa comunicação no WhatsApp, com diversos canais destinados aos clientes — financeiro e comercial, para que a vítima fosse “bombardeada” de mensagens, notícias e supostos comprovantes e relatos de outros investidores sobre os lucros obtidos nas transações.
O delegado Eibert Moreira destacou que a operação tem como foco a alta estrutura do grupo criminoso e que a ação faz parte da estratégia do departamento em desenvolver investigações voltadas à responsabilização de todos os integrantes das estruturas utilizadas para a prática de fraudes eletrônicas.
Com informações de Metrópoles. Fonte original.