A inteligência artificial é um tema recorrente no cinema e na TV há décadas, mas a popularização de ferramentas de IA generativa, como o ChatGPT, no dia a dia das pessoas passou a inspirar diretores e roteiristas de forma mais direta. Diversas séries e filmes já incorporaram tramas envolvendo chatbots e assistentes virtuais muito parecidos com os que existem hoje, aproveitando o momento para levantar reflexões sobre ética, criatividade humana e os limites do uso dessa tecnologia.

Entre as produções de comédia, a série “Abbott Elementary”, vencedora de prêmios do Emmy e do Globo de Ouro, trouxe o tema no episódio “Alex”, da terceira temporada, no qual um personagem descobre que colegas estão usando um serviço de IA para tarefas simples, como responder e-mails. Já a longeva animação “Os Simpsons”, conhecida por antecipar acontecimentos reais, dedicou o episódio “Um Novo Rumo” (37ª temporada) a um aplicativo chamado “CheatGPT” — trocadilho entre ChatGPT e a palavra “trapaça” em inglês —, usado pelos alunos de Springfield para conseguir notas mais altas, gerando desconfiança da personagem Lisa em relação ao irmão Bart.

Referências diretas ao ChatGPT

Outra animação de longa data, “South Park”, tratou do assunto de forma ainda mais explícita no episódio “Deep Learning”, da 26ª temporada, em que o personagem Stan passa a usar o ChatGPT para melhorar redações e mensagens. O detalhe curioso é que o próprio assistente da OpenAI foi creditado como um dos roteiristas do episódio. Já a comédia “Hacks”, que chegou ao fim neste ano, criticou empresas de tecnologia no episódio “QuikScribbl” (quinta temporada), no qual um executivo tenta criar um clone de IA da comediante Deborah Vance, vivida por Jean Smart, escancarando dilemas sobre uso ético da tecnologia e criatividade humana.

Black Mirror e os dilemas distópicos

A antologia “Black Mirror”, da Netflix, é uma referência quando o assunto é tecnologia e distopia. Ao longo de sete temporadas, a série abordou temas como inteligência artificial, privacidade e uso de dados pessoais. O episódio “Hotel Reverie”, terceiro da sétima temporada, trata da recriação de uma estrela de cinema por meio de IA — tema que ganha relevância crescente com o uso da imagem e voz de pessoas famosas, inclusive já falecidas, em produções digitais.

No cinema, o filme “Ela” (2013) é apontado como uma das previsões mais certeiras sobre a evolução dos assistentes de IA. Na trama, o personagem vivido por Joaquin Phoenix se apaixona por uma ferramenta que atende a todos os seus desejos, sem que existam barreiras claras entre humano e tecnologia. A produção mostra como uma IA pode bajular o usuário e criar vínculos emocionais — um paralelo real ocorreu quando a própria OpenAI tentou contratar a atriz Scarlett Johansson, dubladora da IA no filme, para emprestar a voz ao modo de áudio do ChatGPT.

Já o clássico “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, lançado em 1968, previu diversos avanços tecnológicos, como o uso de tablets, mas seu maior destaque é o assistente HAL 9000, sistema de IA integrado à nave espacial Discovery capaz de tomar decisões autônomas — um retrato que resistiu ao tempo diante da integração cada vez maior da IA em diferentes serviços. Por fim, o filme “A Garota Artificial” (2023) retrata a criação de uma personagem de inteligência artificial usada para capturar predadores sexuais, explorando tanto os possíveis usos benéficos da tecnologia quanto a linha tênue nas relações entre humanos e máquinas.

Com informações de Canaltech. Fonte original.