Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro fizeram chegar a integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mensagens que apontam uma relação próxima entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master. O material foi divulgado depois que o ministro André Mendonça, relator do chamado Caso Master no STF, decidiu levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que reúne as trocas de mensagens entre as duas partes.

A revelação do conteúdo ocorreu na terça-feira (1º/9). A partir daí, segundo apuração da coluna do jornalista Igor Gadelha, publicada pelo Metrópoles, as informações sobre as mensagens foram organizadas pelo influenciador Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos, e enviadas como uma espécie de “alerta” a auxiliares próximos de Trump.

Alvo: integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado

De acordo com relatos de Figueiredo a interlocutores, o material foi distribuído a uma lista de contatos que inclui integrantes da Casa Branca, do Departamento de Estado americano e outras figuras influentes que gravitam em torno do presidente Trump. A estratégia busca ampliar a repercussão do caso dentro do governo americano e reforçar a narrativa de que haveria proximidade indevida entre o ministro do STF e o banqueiro.

Paralelamente à movimentação de Figueiredo, o cenário político em torno do caso já vinha sendo articulado no Congresso Nacional. O senador Flávio Bolsonaro assinou um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ampliando a pressão institucional sobre o tema também no âmbito interno.

Objetivo é a reaplicação da Lei Magnitsky

O movimento de Paulo Figueiredo tem um objetivo claro: pressionar o governo Trump a reaplicar contra Moraes a Lei Magnitsky, legislação americana que permite sanções a autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção. A sanção já havia sido aplicada ao ministro do STF em julho de 2025, mas acabou revogada meses depois pelo próprio governo americano.

A tentativa de reativar as sanções mostra como o caso das mensagens entre Moraes e Vorcaro ultrapassou as fronteiras do Judiciário e do Congresso brasileiro, ganhando repercussão internacional por meio da articulação de apoiadores do bolsonarismo radicados nos Estados Unidos. A expectativa agora é observar se o levantamento do sigilo do relatório da PF e a repercussão nos Estados Unidos vão gerar novos desdobramentos tanto na Justiça brasileira quanto nas relações diplomáticas entre os dois países.

Com informações de Metrópoles. Fonte original.