O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, anunciou no sábado (1º/8) o reforço da fiscalização nas fronteiras aérea e marítima com a Espanha, como resposta à crise migratória em Ceuta, cidade autônoma espanhola localizada no norte da África. A decisão foi tomada após mais de 60 mil pessoas vindas do Marrocos chegarem ao enclave espanhol, resultando em ao menos 57 mortes durante as travessias.

Contexto da Crise

A crise migratória em Ceuta começou quando milhares de pessoas cruzaram a fronteira por terra e mar ao longo dos últimos dias. Forças de segurança da Espanha e do Marrocos foram mobilizadas após o episódio, que reacendeu o debate sobre o controle das fronteiras externas da União Europeia. O governo espanhol classificou a entrada em massa como uma violação da soberania do país e reforçou o efetivo policial e militar na cidade autônoma.

Segundo o Ministério do Interior da Espanha, mais de 37 mil migrantes já retornaram ao Marrocos. Ceuta é um território espanhol situado no norte da África, cercado pelo Marrocos e separado da Península Ibérica pelo Estreito de Gibraltar. Embora esteja localizada no continente africano, a cidade integra o território espanhol e, consequentemente, a União Europeia, tornando-se uma das principais portas de entrada para migrantes que buscam chegar ao bloco europeu.

Reações Europeias

A atual onda migratória é atribuída a uma combinação de fatores, como dificuldades econômicas no Marrocos, desemprego entre jovens e a expectativa de melhores condições de vida na Europa. As autoridades espanholas também investigam a atuação de redes de tráfico e contrabando de pessoas na organização das travessias. A crise já provocou repercussões em outros países europeus, com o governo da Itália suspendendo temporariamente o regime de livre circulação com a Espanha, alegando razões de segurança e proteção das fronteiras externas da União Europeia, enquanto a França anunciou o reforço da fiscalização na fronteira com o território espanhol.

O anúncio português amplia a reação europeia à crise migratória desencadeada em Ceuta. O primeiro-ministro Luís Montenegro descartou, por ora, suspender a livre circulação de pessoas prevista pelo Espaço Schengen, como fez a Itália. “A situação é grave, mas Ceuta não tem a mesma liberdade de circulação que o restante do Espaço Schengen”, disse o premiê. O aumento da vigilância será concentrado no sul de Portugal, região mais próxima do Estreito de Gibraltar e da rota utilizada pelos migrantes para chegar a Ceuta.

Com informações de Metrópoles. Fonte original.