O troféu da Copa do Mundo da FIFA é, sem dúvida, um dos objetos mais icônicos e reverenciados do esporte. Erguido ao céu por lendas como Pelé, Diego Maradona, Zinedine Zidane e, mais recentemente, por Rodri, capitão da seleção espanhola na conquista inédita de 2026, ele simboliza o ápice da glória no futebol. No entanto, por trás do momento de êxtase na cerimônia de premiação, pouca gente sabe o que realmente acontece com a taça original após o apito final da decisão.


A Joia de Ouro e Malaquita

O troféu atual, em uso desde 1974, é uma obra-prima da ourivesaria. Produzido em ouro maciço de 18 quilates (ouro de 750 milésimos) e com uma base de malaquita — uma pedra ornamental de tonalidade verde vibrante —, a peça mede cerca de 36,8 centímetros de altura e pesa aproximadamente 6,2 quilos. Para efeito de comparação, seu peso equivale ao de duas bolas de boliche, e seu valor estimado, apenas em material, ultrapassa os **US20milho~es∗∗(cercadeR 110 milhões).

O desenho, criado pelo escultor italiano Silvio Gazzaniga, representa duas figuras humanas sustentando o planeta Terra, com os braços estendidos para o alto, em uma pose que evoca a união, a celebração e a universalidade do futebol. A malaquita, extraída principalmente de minas na África e na Rússia, confere ao troféu uma base sólida e contrasta com o brilho dourado, simbolizando a ligação do esporte com a terra e a natureza.

A taça original pesa 6,175 kg e tem 36,8 cm de altura; na base, estão gravados os nomes das seleções campeãs desde 1974, em um espaço que, segundo a FIFA, só será preenchido completamente por volta de 2038 — garantindo que a relíquia permaneça em uso por décadas.


O Destino da Taça: um presente que nunca vai para casa

Diferentemente do que muitos imaginam, a taça original não fica com a seleção vencedora. A FIFA mantém a posse do troféu, que retorna ao seu acervo oficial — guardado em uma sala cofre na sede da entidade, em Zurique, na Suíça — logo após as comemorações no estádio.

O que a equipe campeã leva para casa é uma réplica oficial folheada a ouro, chamada oficialmente de FIFA World Cup Winners’ Trophy, fabricada em bronze e revestida com uma fina camada de ouro. Essa réplica tem as mesmas dimensões da original, mas pesa cerca de 5 kg e pode ser mantida permanentemente pela federação campeã, exposta em museus ou em sua sede.

A decisão da FIFA em não entregar o troféu original em definitivo, como ocorria com a antiga Taça Jules Rimet, tem um motivo claro: preservar a integridade e a segurança de um dos objetos mais valiosos e simbólicos do esporte. Enquanto a Jules Rimet foi entregue em caráter definitivo ao Brasil após o tricampeonato de 1970 — e acabou sendo furtada em 1983, nunca mais recuperada —, o troféu atual permanecerá para sempre sob a guarda da FIFA, independentemente do número de títulos conquistados por uma seleção.


Regras Rígidas: quem pode tocar na glória?

A FIFA estabelece um protocolo de segurança quase cinematográfico para o manuseio do troféu original. Além dos jogadores e integrantes da comissão técnica da seleção campeã durante a cerimônia de premiação, apenas um grupo bastante restrito pode tocar na taça original:

  • Chefes de Estado e chefes de governo;

  • Dirigentes da FIFA (presidente e vice-presidentes);

  • Campeões mundiais vivos (jogadores que já levantaram a taça);

  • Personalidades autorizadas pela entidade.

Em todas as outras ocasiões, o troféu original fica em um estojo acolchoado e é transportado em uma maleta especial, sob escolta armada, para eventos promocionais e turnês mundiais — como a famosa FIFA World Cup Trophy Tour, que percorre os países participantes antes de cada edição do torneio. Durante essas viagens, o troféu é acompanhado por seguranças treinados, e uma réplica de segurança é usada em algumas etapas para evitar riscos.


A História da Jules Rimet: glória, guerra e desaparecimento

Antes do troféu atual, a Copa do Mundo utilizava a Taça Jules Rimet, criada em 1930 em homenagem ao terceiro presidente da FIFA. Essa taça, com 35 cm de altura e 3,8 kg, representava a deusa grega Nice (Vitória) segurando uma taça acima da cabeça.

A Jules Rimet teve uma trajetória tão emocionante quanto a própria história do futebol:

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, o troféu foi escondido pelo vice-presidente da FIFA, Dr. Ottorino Barassi, dentro de uma caixa de sapatos debaixo de sua cama, para evitar que fosse apreendido pelas tropas nazistas na Itália.

  • Em 1966, na Inglaterra, o troféu foi roubado durante uma exposição pública. Foi encontrado dias depois por um cachorro chamado Pickles, que o descobriu em um jardim em Londres, enrolado em jornal — uma história que virou lenda e até inspirou um filme.

  • Após o tricampeonato brasileiro em 1970 (com as conquistas de 1958, 1962 e 1970), a FIFA concedeu a posse definitiva da taça ao Brasil, conforme previsto no regulamento da época.

No entanto, a história teve um desfecho trágico: em dezembro de 1983, a Jules Rimet foi furtada da sede da CBF no Rio de Janeiro, e nunca mais foi recuperada. Suspeita-se que tenha sido derretida por criminosos, mas o paradeiro exato permanece um mistério até hoje.


Curiosidades que poucos conhecem

  • O peso na balança: a taça original pesa 6,175 kg, mas o jogador que a ergue — muitas vezes exausto após 90 minutos — sente o peso dobrado, graças à adrenalina e à emoção do momento.

  • Nomes na base: os nomes das seleções campeãs são gravados na base de malaquita em um espaço circular. Até 2026, estavam lá Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, França, Inglaterra e Itália.

  • Réplica oficial: cada federação campeã recebe sua própria réplica, mas há apenas uma taça original. A FIFA mantém ainda algumas réplicas de segurança para eventos públicos, evitando que a original seja exposta a riscos desnecessários.

  • Valor segurado: a taça original é segurada em cerca de US$ 20 milhões, mas, para a FIFA, seu valor histórico e simbólico é incalculável.


Conclusão: a eternidade de um símbolo

A taça da Copa do Mundo, com sua aura de ouro e mistério, é mais do que um prêmio esportivo. Ela é um símbolo da paixão global, um elo entre gerações e uma testemunha silenciosa dos momentos mais épicos do futebol. Erguê-la é o sonho de todo jogador; mantê-la sob guarda, a responsabilidade da FIFA — que aprendeu, com a história da Jules Rimet, que alguns tesouros não podem ser entregues, mas apenas compartilhados, temporariamente, com os heróis que os merecem.

E assim, após cada final de Copa, a taça original volta para seu cofre na Suíça, aguardando o próximo campeão, enquanto a réplica — um pedaço de ouro e memória — viaja para casa, para ser guardada com o mesmo cuidado e reverência que a original inspira.


Com informações de ND Mais, FIFA (site oficial), BBC News, Globo Esporte, CNN Brasil, The Guardian, UOL Esporte e ESPN.